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View Full Version : Acústica para salas de audição. Parte I



Orpheus
07-03-2005, 23:53
Vamos esquecer aquelas dicas praticas que de praticas só têm o nome, não que comprimentos de onda, taxas de reverberação, ondas estacionarias e coisas mais acabadas em aõ e não só, não façam diferença quando medidas, calculadas e bem aplicadas, mas no nosso caso, na nossa casa necessitamos unicamente de saber os princípios básicos com que nos regemos. Vamos então começar e de preferência sem cálculos matemáticos.

A maioria dos especialistas concordam que a combinação Lado Vivo/Lado Morto é a base para a sala do nosso sistema, sendo que o lado Vivo serão as zonas mais duras e reflectivas como as paredes , vidros e outros materiais do género, e o lado morto as tapeçarias, os sofás de tecido os cortinados e todos os outros materiais absorventes.
Assim é recomendado que o lado Morto esteja na frente da sala, atrás das colunas frontais de modo a se conseguir um maior posicionamento de cada som no palco sonoro, com poucas reflexões naquela zona teremos mais facilmente um detalhe mais minucioso identificando-se no palco imaginável uma palpabilidade dos vários interpretes no seu espaço, ficando para trás o lado vivo , pela exigência precisamente contrária de envolvência e falta de identificação da proveniência do som. Mas atenção que isto não é assim como “espetar” com as tapeçarias todas para a frente e as mármores todas para trás , como em tudo há que encontrar um equilíbrio, a frente muito absorvente acaba por matar a musica, tornam-na sem vida embora indicados para o som de precisão do home-cinema, tornar a frente mais fria beneficia a dinâmica, as percussões e os instrumentos acústicos mas destroi os efeitos do home-cinema. Tudo, como se vê, é uma questão de equilíbrio.
Felizmente para quem quer extrair o máximo do seu equipamento, já existem formas de se conseguir tal equilíbrio. Pode-se, por exemplo, adquirir painéis acústicos que, colocados em pontos estratégicos da sala, ajudam a absorver e/ou difundir o som. Existem vários produtos desse tipo, e os fabricantes em geral oferecem também consultoria sobre a melhor forma de empregá-los. Se tiverem condições de aplicar revestimentos acústicos na vossa sala ,mas implica investir tempo e dinheiro nisso. um bom projecto certamente faria do nosso ambiente um espaço equilibrado mas custa mais que muitos de nós podemos gastar e difícil será “casa-lo” com a decoração, pois nem sempre o melhor acusticamente é o mais bonito, quase nunca.
O mais utilizado é o melhoramento do nosso espaço com materiais que nos são familiares numa sala, e com eles até podemos controlar quase todo o espectro de frequências.
Tendo em conta que o som que sai das colunas é o som primário e depois dele quase um outro que é o que reflecte em toda a sala.
Com algum cuidado e paciência, podemos controlar tanto as reflexões como o amortecimento, e isso em todo o espectro sonoro, ou seja, nos graves como nos médios e nos agudos. Cada material tem suas características acústicas. Cortinas de veludo, por exemplo, são tidas como altamente absorventes, mas na verdade só são eficientes para amortecer as frequências médias e altas (agudos); nos graves, essas cortinas têm pouca influência, se utilizarmos tecidos naturais aumentamos um pouco o espectro mas com sintéticos é praticamente só no topo. O desempenho acústico do nosso equipamento vai depender, portanto, da correcta combinação entre os vários materiais existentes na sala (além, é claro, da boa qualidade dos aparelhos em si).
É sabido que cada sala é uma sala, é um caso especifico, e como tal não se pode passar muito deste tipo de generalidade, mas um caso é certo, todos nós estamos em constante evolução, a nossa maneira de entender a audiofilia vai modificando e tornando-se mais selectiva e mais precisa, de repente o que ontem não passava de uma visão rebuscada hoje é de uma clarividência tal que parece que sempre conhecemos, o que é de retirar disto tudo é que a experiência será a nossa melhor arma e portanto não há nada como começar já hoje a tentar.
Boas audições, Orpheus.