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View Full Version : Relação de potências



Orpheus
08-03-2005, 21:58
Afinal a relação de potência entre amplificação e colunas deve ser vista como?
Esta discussão agita os especialistas e, às vezes, serve mais como confusão que como informação.

Será que o amplificador deverá libertar mais potência do que aquela admitida pelas colunas? Ou estas é que precisam ser capazes de reproduzir potência maior do que a gerada pelo amplificador? Não será bem um dilema mas esta discussão costuma gerar impasses até mesmo entre especialistas.
Como outras regras dos equipamentos de áudio, não há um consenso entre os profissionais em torno da potência recomendada para amplificadores e colunas. Na dúvida, muitas vezes o consumidor acaba por escolher mal, ser induzido a faze-lo ou optar pelo que tiver o numero maior o que nem sempre dá os melhores resultados.
Mas afinal o que estará em perigo, para tal é necessário entender certos factores.
O primeiro é a própria potência. Normalmente associada à qualidade do som, não é raro encontrar pessoas que associam o valor maior de potência á melhor qualidade sonora, o que nem sempre é verdade. Um equipamento mais potente é capaz de tocar mais alto, apenas isso. Com um receiver ou amplificador que debite maior potência consegue-se um nível menor de distorção, já que não será necessário tanto esforço para atingir determinado volume. Daí a falsa impressão de que o aparelho mais potente seja o melhor.

Outro conceito directamente relacionado é a sensibilidade da coluna. Esse valor, expresso em dB (decibéis), unidade que indica a intensidade do som, refere-se à resposta de um circuito ou alto-falante à aplicação de um sinal eléctrico. Essa resposta nada mais é do que o movimento do alto-falante, que provoca variações na pressão sonora. Quanto mais sensível a caixa, maior será o volume final obtido a partir da potência recebida do amplificador. Uma coluna mais sensível não requer um amplificador tão potente embora possa requerer um amplificador mais bem construído, como outra de baixa sensibilidade. E não dá para definir a potência ideal do amplificador sem saber a sensibilidade da coluna.

Mas a teoria não termina por aí. É importante entender que o alto-falante é um elemento passivo, enquanto o amplificador é activo. Isso significa que o alto-falante não tem potência em si, simplesmente recebe a potência produzida pelo amplificador. Alguns técnicos partem do princípio de que as colunas podem sofrer com o excesso de potência e que, portanto, devem sempre ter a capacidade de admitir potência igual ou superior à do amplificador.

“A música é dinâmica, o que significa que é feita de momentos – sequências – de altos e baixos níveis”, e o utilizador a maioria das vezes de passivo não tem muito e não tarda por se deixar levar pelo momento e acaba por subir o volume demais, segundo o engenheiro e consultor Wagner Cerchiai, neste caso, quem tem que segurar o exagero é o alto-falante, que muitas vezes recebe o som do amplificador já distorcido, por excesso de volume ou abuso do controle de graves”. A consequência indesejável, diz ele, são os danos provocados na caixa, cuja extensão dependerá do tamanho do abuso.

Para ilustrar seu raciocínio, Cerchiai faz uma analogia com a energia eléctrica: “Se ligarmos uma lâmpada de 220 volts numa tomada de 110V, ela acender-se-á fracamente, mas não queimará. Se fizermos o contrário, ela queimará instantaneamente”, explica. Em seu exemplo, a lâmpada e a coluna são representadas tecnicamente como “cargas” e a rede eléctrica e o amplificador como “fontes”. Uma carga somente prejudica uma fonte por erro grave de especificação. No caso da rede eléctrica, isso ocorre quando uma lâmpada está em curto; no caso de amplificador e caixa acústica, quando esta tem impedância menor que a mínima aceitável pelo amplificador. “Uma coluna “potente” dificilmente se queima ou sequer prejudica um amplificador, apenas confere ao sistema uma reserva necessária e bem-vinda”, diz Cerchiai.

Do outro lado da polémica, há os que acreditam que o amplificador deve ter maior potência para alimentar suficientemente as colunas.
Segundo o Eng. Henry Lua responsável pela Paradigm a situação é ao contrário.
Aqui também há uma analogia para ajudar a entender o fenómeno. “Imaginemos um motor 1.8 ou 2.0 no chassi de um carro 1.0, por exemplo”, “Esse motor proporcionará uma resposta excelente, tanto no que se refere às largadas rápidas e ultrapassagens quanto em curvas. Já se pensarmos no exemplo inverso, um motor 1.0 não teria força suficiente para empurrar o chassi de um carro maior”, diz Lua, comparando a coluna ao chassi e o motor ao amplificador. “Quanto mais reserva de energia tiver o amplificador, melhor. Ele tem que ser capaz de dar o que a coluna pede , independente das frequências a serem reproduzidas.”

É interessante lembrar que as baixas frequências são aquelas que exigem mais potência do amplificador. É por esse motivo, entre outros, que nos sistemas multicanal há um canal específico para frequências baixas e com reprodução através de uma coluna separada (o subwoofer) com amplificação independente do amplificador.

A polémica envolvendo a potência confunde alguns consumidores a ponto de fazê-los optar por números de potência altos mesmo quando isso não é necessário. Quem tem uma sala pequena (até 15m2), por exemplo, não precisa de mais do que 80W em cada canal. Mas, para decidir se são as caixas ou o amplificador que devem ter potência maior, é importante considerar outros factores, como sensibilidade, impedância e até os hábitos musicais da família.

Não é preciso ser especialista ou engenheiro para saber que jovens dificilmente se contentam com baixos volumes. Portanto, um dos primeiros pontos a serem analisados na escolha do equipamento não envolve propriamente conhecimentos técnicos, mas um pouco de psicologia, já que se refere à expectativa do usuário com relação ao áudio. Até o gosto musical tem influência nesse caso. Tomando aquele grupo como exemplo, ao exagerar no volume tem-se logo os primeiros sinais de alerta: as distorções no som.

Considerando que a coluna escolhida admite potência muito menor do que a fornecida pelo amplificador, no caso acima é quase certo que os alto-falantes correm sérios riscos e mostrarão distorções audíveis, indicando que estão sendo exigidos esforços acima da sua capacidade. Em contrapartida, se a potência do receiver ou amplificador for muito baixa, sentiremos a necessidade de aumentar demais o volume, o que acaba por provocar a chamada “clipagem” (ou clipping), um tipo de distorção que também pode danificar as colunas, principalmente os tweeters. Quando isso acontece, alguns amplificadores e amplificadores desligam-se automaticamente. Porém, esse desligar poderá vir tarde demais e as colunas já estarem danificadas ou com perda de qualidade.

Ouvir som alto é uma das preferências dos audiofilos da vertente de home-cinema . E é difícil saber se o impulso de aumentar o volume não ultrapassará o limite aceitável, pondo em risco a coluna. Mas os partidários do ponto de vista contrário, de que o amplificador deve ter potência superior à das caixas, argumentam que é bem mais frequente as colunas serem danificadas por um amplificador de potência inferior (devido à clipagem) do que ao serem utilizadas com amplificadores mais potentes.

Ainda que pareça complicada, a questão é mais simples do que aparenta. Passa antes de mais nada pelo bom senso e, é claro, por um projecto bem dimensionado, de acordo com as expectativas do utilizador. Nesse sentido é preciso saber exactamente o que se quer do equipamento, para poder fazer a melhor escolha. A verdade é que nas mãos de uma pessoa que saiba utilizá-los com os devidos cuidados, um amplificador ou receiver pode ser ligado a colunas com especificações de potência muito superiores ou inferiores às suas sem risco de danos. Porém, esse é o tipo de sensibilidade que só se adquire com alguns anos de experiência e, algumas vezes, após alguns estragos pelo caminho.

“Na dúvida, por precaução é preferível escolher equipamentos com valores aproximados, ou seja, uma coluna que admita potência com valor semelhante ao produzido pelo amplificador.
Geralmente (não regra geral) amplificadores e receivers com potências acima da faixa dos 100W RMS por canal são geralmente os mais caros e estão associados a uma qualidade de áudio melhor. Com uma configuração desse tipo, é bem provável que se consiga resultado superior. Já em relação às colunas, o facto de serem especificadas com potência alta não garante sua qualidade; poderão simplesmente tocar mais alto, mas também distorcer mais, para não falar por vezes em especificações enganosas.
Assim e a titulo de generalização é recomendado que se escolha o sistema com calma, ponderação e acima de tudo experimentado.
É obrigação do vendedor deixar o cliente experimentar o equipamento, se não houver uma cumplicidade tal com o vendedor que lhes permita trazer para vossa casa o equipamento, levem para lá o vosso e experimentem, testem se possível com outros da mesma gama para se aperceberem das diferenças e não se esqueçam que mesmo depois da compra podem devolver tudo sem qualquer tipo de perda pelo simples facto de afinal não acharem a opção a mais viável, desde que o equipamento e respectiva embalagem permaneçam em perfeitas condições, e isto tudo em nome da audiofilia.
Boas Audições, Orpheus.