Orpheus
09-03-2005, 21:39
Afinal o que é que nos separa da protecção eléctrica dos nossos equipamentos?
Qual o valor que estamos disponíveis a gastar para comprar o descanso?
Será que todos estamos conscientes que uma boa protecção não raramente confere melhor qualidade sonora?
Para entendermos o porquê da necessidade ( e também dos benefícios) de tamanha protecção, é necessário em primeiro lugar saber afinal de que nos estamos a proteger.
A energia eléctrica, na forma como a conhecemos e utilizamos nas nossas casas, é gerada regra geral em hidreléctricas através da transformação de energia mecânica em energia eléctrica, ou seja, a água faz rodar as turbinas que em rotação assim como um dínamo, passam a gerar corrente e tensão eléctricas, em frequência de 50 hz. Essa medida de frequência indica o número de ciclos da corrente eléctrica, ou seja, quantas vezes por segundo os eléctrons vem e vão . A energia eléctrica obtida na saída dos geradores das hidroeléctricas apresenta-se na forma mais pura possível e portanto, na condição ideal para ser utilizada, embora ainda em alta tensão. No entanto, durante o trajecto dessa energia, ao ser distribuída a fábricas, indústrias e residências, é angariada grande poluição, causada pela introdução na rede de harmónicos (múltiplos) da frequência fundamental de 50 Hz. Esses harmónicos são geralmente provenientes de motores eléctricos, transformadores, como também de todo e qualquer aparelho gerador de campo magnético indutivo. Como esse problema é comum a todos as partes do mundo ( obviamente agravado nos países menos desenvolvidos), os fabricantes de equipamentos electrónicos instalam dentro dos seus aparelhos fontes de alimentação, sobre as quais recai a responsabilidade de , não apenas fornecerem potência necessária ao funcionamento dos inúmeros circuitos internamente existentes, mas também a de entregarem essa potência na forma mais pura possível. Infelizmente, o grau de insalubridade da rede é tão alto que , mesmo em equipamentos de elevado padrão ( os chamados High End), essa filtragem não se mostra suficiente para eliminação de todos os harmónicos. Todos os equipamentos eléctricos ou electrónicos sofrem com esses harmónicos, mas o Áudio /Vídeo para além de ser o que nos interessa para o caso acabam por ser os mais afectados pois no caso da audiofilia a margem de erro está constantemente a ser reduzida, de tal forma que qualquer “lixo” é facilmente detectado, quanto mais não seja após ter-mos ouvido algo onde ele não está presente.
Sabendo então da quantidade de “lixo” presente na rede, será de procurar a existência de um antídoto para tal veneno. E ele existe: chama-se processo de filtragem adicional, o qual consiste na aplicação de dispositivos electrónicos capazes de absorver e posteriormente eliminar esses harmónicos antes de chegarem a entrada de força dos equipamentos. No mercado existem diversos produtos capacitados a executar essa função, sendo os mais conhecidos aqueles destinados ao segmento de informática. São dispositivos semelhantes a extensões de tomadas múltiplas, só que trazendo internamente, um circuito electrónico responsável pela filtragem da rede.
Todavia, mesmo sendo os equipamentos de informática ( como todo e qualquer equipamento electrónico) sensíveis a ocorrência de harmónicos, são os destinados ao Áudio e Vídeo que demandam maiores cuidados, pois harmónicos, ao ultrapassarem a fonte interna dos equipamentos, passarão a percorrer os circuitos de áudio e vídeo, chegando aos estágios de pré e amplificação, como também aos de conversão de sinal, de maneira que essa “impureza” será posteriormente traduzida na forma de distorções no áudio e na imagem. Portanto, para os equipamentos de A/V é necessário um processo de filtragem diferenciado do aplicado em informática.
Para essa tarefa existem no mercado equipamentos destinados à filtragem da rede e dirigidos especificamente ao segmento de Áudio e Vídeo: os condicionadores de energia. As boas empresas do mercado especializadas em A/V oferecem várias opções de modelos, com preços variados. Esses produtos apresentam, dependendo do modelo, uma série de recursos, sendo um dos mais interessantes a protecção contra surtos e picos de corrente. Os chamados surtos de sobretensão ocorrem geralmente após uma interrupção momentânea de energia. Quando o fornecimento de energia é restabelecido, a mesma retorna com muito mais intensidade, superando os limites de tolerância para a tensão nominal de 220 volts, o que não raro causa grandes danos aos equipamentos. Entre os tipos de surtos, os mais temidos são sem dúvida os picos de corrente ou “Spikes”, definidos como surtos de ocorrência extremamente rápida ( na casa dos milésimos de segundo), trazendo consigo sobrecargas de tensão que chegam a ultrapassar os 6.000 Volts! As principais causas de “spikes” são tempestades eléctricas, podendo igualmente ser causados por motores e geradores eléctricos de alta potência. Condicionadores oferecem ainda protecção contra raios, ligação dos equipamentos alimentados ( após surto ou sobrecarga) de forma sequencial e temporizada, saída de energia com identificação dos equipamentos a serem ligados e com carga previamente dimensionadas, entre outros recursos. Mas o que realmente difere os condicionadores destinados ao A/V dos comuns filtros de linha é a forma de actuação do circuito de filtragem. Os chamados filtros de linha aplicados em informática atuam em série com a rede eléctrica. Explicando melhor: imaginem um pequeno filtro instalado no meio de um fio condutor. A energia entra por uma lado, passa pelo filtro, e depois saí pelo outro lado. Acontece que em tal procedimento, o próprio filtro, logo após “limpar” a energia, acaba ele próprio adicionar harmónicos de 60 Hz. Obviamente, o lixo introduzido pelo filtro já é muito menor do que a que ele mesmo eliminou na etapa de entrada, mas mesmo assim não deixa de ser um dispositivo “poluidor” da rede eléctrica. Como solução para isso, os fabricantes conceberam filtros que atuam em paralelo com rede , pois em tal configuração ( assemelhada com um “T”), o circuito de filtragem retira da rede os nocivos harmónicos, sem no entanto adicionar mais nada de seguida, pois sua conexão com a rede se dá apenas no estágio de entrada de energia, não existindo retorno. Toda a energia acumulada e proveniente da rede é então canalizada e direccionada ao pólo de terra do condicionador.
No entanto há que referir que se de facto um raio eléctrico numa descarga de 100 milhões de volts e 400 mil amperes atingir as nossas instalações eléctricas ou uma zona de perímetro próxima (até 10m) não haverá condicionador que nos valha, pelo contrário teremos mais um aparelho para reparação.
Outro ponto a reter é o facto de condicionadores e estabilizadores de tensão serem produtos completamente distintos, e assim, destinados a diferentes aplicações. Condicionadores trabalham na filtragem da rede, mas não estabilizam a tensão. Eles possuem uma faixa de tolerância de cerca de 15% para mais ou para menos em relação à tensão nominal da rede (220v). Excedido tal limite de tolerância, eles simplesmente desligam, interrompendo a alimentação aos equipamentos a eles conectados. Portanto, a tensão de entrada no condicionador, será igual a tensão fornecida aos equipamentos por ele alimentados. Em regiões propensas a grandes e constantes variações de tensão é aconselhável a utilização de um estabilizador, o qual deve sempre ser instalado entre a tomada de energia da parede e o condicionador, isto porque, sendo o principal componente do estabilizador um grande e potente transformador, o mesmo é um potencial gerador de harmónicos de 60 Hz. Mas não havendo real necessidade , o uso de estabilizadores deve ser desconsiderado.
Outro ponto que merece atenção é a instalação eléctrica da nossa residência. Independente da qualidade e sofisticação do nosso sistema de protecção, as instalações eléctricas do sistema necessitam estar em perfeita ordem. 99 % bom não é aceitável nesses casos. Procure dimensionar fios, cabos e tomadas de força acordo com as potências que lhes serão exigidas. O mal dimensionamento é o principal causador de superaquecimento de tomadas e fios, como também de curtos-circuitos e perda de rendimento. Se não é dado ao bricolage consulte um electricista de confiança. Se dedicar-mos a esta etapa alguma dedicação o resultado final será de todas as formas melhor. Não esquecer que os condicionadores e/ou estabilizadores devem ser alvo de igual forma de calculo de acordo com o sistema em causa.
Na minha opinião, em termos de protecção de equipamento áudio estes são os únicos aparelhos que eu tomo como capazes de o fazer competentemente para o efeito pretendido e sem descurarem o factor qualidade sonora obtida, e pelo contrário após algumas experiências posso até dizer que o tenham de facto melhorado, principalmente a nível de ruído de fundo, nos agudos sem qualquer agressividade ou compressão ,numa sensação de realidade presente em todas as gamas e uma solidez bem vincada no palco sonoro, em alguns casos na dinâmica.
De todos os dispositivos diferentes destes , que testei, independentemente de serem ou não capazes de protegerem os sistemas, não introduziam qualquer melhoria audível, bem pelo contrário na maioria das vezes, mesmo nos ditos filtros de ruído que algumas extensões de sector já possuem.
Assim voltamos ao principio, que valor estaremos nós dispostos a pagar pela protecção dos nossos sistemas, pelo descanso e com o bónus de uma melhoria sonora obtida e desta vez perfeitamente audível.
Boas audições, Orpheus.
Qual o valor que estamos disponíveis a gastar para comprar o descanso?
Será que todos estamos conscientes que uma boa protecção não raramente confere melhor qualidade sonora?
Para entendermos o porquê da necessidade ( e também dos benefícios) de tamanha protecção, é necessário em primeiro lugar saber afinal de que nos estamos a proteger.
A energia eléctrica, na forma como a conhecemos e utilizamos nas nossas casas, é gerada regra geral em hidreléctricas através da transformação de energia mecânica em energia eléctrica, ou seja, a água faz rodar as turbinas que em rotação assim como um dínamo, passam a gerar corrente e tensão eléctricas, em frequência de 50 hz. Essa medida de frequência indica o número de ciclos da corrente eléctrica, ou seja, quantas vezes por segundo os eléctrons vem e vão . A energia eléctrica obtida na saída dos geradores das hidroeléctricas apresenta-se na forma mais pura possível e portanto, na condição ideal para ser utilizada, embora ainda em alta tensão. No entanto, durante o trajecto dessa energia, ao ser distribuída a fábricas, indústrias e residências, é angariada grande poluição, causada pela introdução na rede de harmónicos (múltiplos) da frequência fundamental de 50 Hz. Esses harmónicos são geralmente provenientes de motores eléctricos, transformadores, como também de todo e qualquer aparelho gerador de campo magnético indutivo. Como esse problema é comum a todos as partes do mundo ( obviamente agravado nos países menos desenvolvidos), os fabricantes de equipamentos electrónicos instalam dentro dos seus aparelhos fontes de alimentação, sobre as quais recai a responsabilidade de , não apenas fornecerem potência necessária ao funcionamento dos inúmeros circuitos internamente existentes, mas também a de entregarem essa potência na forma mais pura possível. Infelizmente, o grau de insalubridade da rede é tão alto que , mesmo em equipamentos de elevado padrão ( os chamados High End), essa filtragem não se mostra suficiente para eliminação de todos os harmónicos. Todos os equipamentos eléctricos ou electrónicos sofrem com esses harmónicos, mas o Áudio /Vídeo para além de ser o que nos interessa para o caso acabam por ser os mais afectados pois no caso da audiofilia a margem de erro está constantemente a ser reduzida, de tal forma que qualquer “lixo” é facilmente detectado, quanto mais não seja após ter-mos ouvido algo onde ele não está presente.
Sabendo então da quantidade de “lixo” presente na rede, será de procurar a existência de um antídoto para tal veneno. E ele existe: chama-se processo de filtragem adicional, o qual consiste na aplicação de dispositivos electrónicos capazes de absorver e posteriormente eliminar esses harmónicos antes de chegarem a entrada de força dos equipamentos. No mercado existem diversos produtos capacitados a executar essa função, sendo os mais conhecidos aqueles destinados ao segmento de informática. São dispositivos semelhantes a extensões de tomadas múltiplas, só que trazendo internamente, um circuito electrónico responsável pela filtragem da rede.
Todavia, mesmo sendo os equipamentos de informática ( como todo e qualquer equipamento electrónico) sensíveis a ocorrência de harmónicos, são os destinados ao Áudio e Vídeo que demandam maiores cuidados, pois harmónicos, ao ultrapassarem a fonte interna dos equipamentos, passarão a percorrer os circuitos de áudio e vídeo, chegando aos estágios de pré e amplificação, como também aos de conversão de sinal, de maneira que essa “impureza” será posteriormente traduzida na forma de distorções no áudio e na imagem. Portanto, para os equipamentos de A/V é necessário um processo de filtragem diferenciado do aplicado em informática.
Para essa tarefa existem no mercado equipamentos destinados à filtragem da rede e dirigidos especificamente ao segmento de Áudio e Vídeo: os condicionadores de energia. As boas empresas do mercado especializadas em A/V oferecem várias opções de modelos, com preços variados. Esses produtos apresentam, dependendo do modelo, uma série de recursos, sendo um dos mais interessantes a protecção contra surtos e picos de corrente. Os chamados surtos de sobretensão ocorrem geralmente após uma interrupção momentânea de energia. Quando o fornecimento de energia é restabelecido, a mesma retorna com muito mais intensidade, superando os limites de tolerância para a tensão nominal de 220 volts, o que não raro causa grandes danos aos equipamentos. Entre os tipos de surtos, os mais temidos são sem dúvida os picos de corrente ou “Spikes”, definidos como surtos de ocorrência extremamente rápida ( na casa dos milésimos de segundo), trazendo consigo sobrecargas de tensão que chegam a ultrapassar os 6.000 Volts! As principais causas de “spikes” são tempestades eléctricas, podendo igualmente ser causados por motores e geradores eléctricos de alta potência. Condicionadores oferecem ainda protecção contra raios, ligação dos equipamentos alimentados ( após surto ou sobrecarga) de forma sequencial e temporizada, saída de energia com identificação dos equipamentos a serem ligados e com carga previamente dimensionadas, entre outros recursos. Mas o que realmente difere os condicionadores destinados ao A/V dos comuns filtros de linha é a forma de actuação do circuito de filtragem. Os chamados filtros de linha aplicados em informática atuam em série com a rede eléctrica. Explicando melhor: imaginem um pequeno filtro instalado no meio de um fio condutor. A energia entra por uma lado, passa pelo filtro, e depois saí pelo outro lado. Acontece que em tal procedimento, o próprio filtro, logo após “limpar” a energia, acaba ele próprio adicionar harmónicos de 60 Hz. Obviamente, o lixo introduzido pelo filtro já é muito menor do que a que ele mesmo eliminou na etapa de entrada, mas mesmo assim não deixa de ser um dispositivo “poluidor” da rede eléctrica. Como solução para isso, os fabricantes conceberam filtros que atuam em paralelo com rede , pois em tal configuração ( assemelhada com um “T”), o circuito de filtragem retira da rede os nocivos harmónicos, sem no entanto adicionar mais nada de seguida, pois sua conexão com a rede se dá apenas no estágio de entrada de energia, não existindo retorno. Toda a energia acumulada e proveniente da rede é então canalizada e direccionada ao pólo de terra do condicionador.
No entanto há que referir que se de facto um raio eléctrico numa descarga de 100 milhões de volts e 400 mil amperes atingir as nossas instalações eléctricas ou uma zona de perímetro próxima (até 10m) não haverá condicionador que nos valha, pelo contrário teremos mais um aparelho para reparação.
Outro ponto a reter é o facto de condicionadores e estabilizadores de tensão serem produtos completamente distintos, e assim, destinados a diferentes aplicações. Condicionadores trabalham na filtragem da rede, mas não estabilizam a tensão. Eles possuem uma faixa de tolerância de cerca de 15% para mais ou para menos em relação à tensão nominal da rede (220v). Excedido tal limite de tolerância, eles simplesmente desligam, interrompendo a alimentação aos equipamentos a eles conectados. Portanto, a tensão de entrada no condicionador, será igual a tensão fornecida aos equipamentos por ele alimentados. Em regiões propensas a grandes e constantes variações de tensão é aconselhável a utilização de um estabilizador, o qual deve sempre ser instalado entre a tomada de energia da parede e o condicionador, isto porque, sendo o principal componente do estabilizador um grande e potente transformador, o mesmo é um potencial gerador de harmónicos de 60 Hz. Mas não havendo real necessidade , o uso de estabilizadores deve ser desconsiderado.
Outro ponto que merece atenção é a instalação eléctrica da nossa residência. Independente da qualidade e sofisticação do nosso sistema de protecção, as instalações eléctricas do sistema necessitam estar em perfeita ordem. 99 % bom não é aceitável nesses casos. Procure dimensionar fios, cabos e tomadas de força acordo com as potências que lhes serão exigidas. O mal dimensionamento é o principal causador de superaquecimento de tomadas e fios, como também de curtos-circuitos e perda de rendimento. Se não é dado ao bricolage consulte um electricista de confiança. Se dedicar-mos a esta etapa alguma dedicação o resultado final será de todas as formas melhor. Não esquecer que os condicionadores e/ou estabilizadores devem ser alvo de igual forma de calculo de acordo com o sistema em causa.
Na minha opinião, em termos de protecção de equipamento áudio estes são os únicos aparelhos que eu tomo como capazes de o fazer competentemente para o efeito pretendido e sem descurarem o factor qualidade sonora obtida, e pelo contrário após algumas experiências posso até dizer que o tenham de facto melhorado, principalmente a nível de ruído de fundo, nos agudos sem qualquer agressividade ou compressão ,numa sensação de realidade presente em todas as gamas e uma solidez bem vincada no palco sonoro, em alguns casos na dinâmica.
De todos os dispositivos diferentes destes , que testei, independentemente de serem ou não capazes de protegerem os sistemas, não introduziam qualquer melhoria audível, bem pelo contrário na maioria das vezes, mesmo nos ditos filtros de ruído que algumas extensões de sector já possuem.
Assim voltamos ao principio, que valor estaremos nós dispostos a pagar pela protecção dos nossos sistemas, pelo descanso e com o bónus de uma melhoria sonora obtida e desta vez perfeitamente audível.
Boas audições, Orpheus.