Orpheus
03-07-2005, 17:11
Gloria aos tempos em que multidões de braços unidos se “apoderavam” de estádios e recintos e em paz viviam momentos únicos, gritavam pulavam acompanhando freneticamente a banda, ao fundo um espectáculo de luz e cor jamais vistos, letras que significavam sentidos de vida, vidas que significavam letras.
Gloria aos tempos em que a juventude era aos 30 e com respeito se discutiam ideais, se lutava e ao fim do dia sem frustrações se abraçava os amigos. Acho que esse tempo se está a perder num piscar de olhos e não que as causas esteja a findar.
Proponho um olhar para uma das maiores tournés de sempre, 1980 “The Wall Tour” dava o primeiro passo no Los Angeles Sports Arena , a grande luta havia começado, os Floyd em palco encenavam diferentes barreiras que a sociedade ou nós mesmo criamos e com fundos musicais arrepiantes desbravavam a linha do pensamento.
The Wall, a parede, era a faceta da vida real de Roger Waters, as suas experiências e tendências, as suas obsessões , o trauma de uma sociedade manipulada.
A historia remete-nos a um isolamento psicológico por trás de uma parede psicológica, essa parede gira em torno dele sem controle e ele cresce incapaz de lidar com as suas neuroses, um pouco o reflexo da sociedade.
O disco está de facto impregnado de calorosas e acutilantes entradas na vida em sociedade, uma sociedade mecanizada, caída ás mãos de lideres sem escrúpulos, caída ás mãos do dinheiro fácil, da mentira e subversão de valores, uma sociedade maquinada pela guerra que continuava a ceifar vidas no auge da juventude e homens de família como o foi de facto o pai de Waters.
Esta visão em real , sem desvios, estes olhos “musicais” que desvendam o ritmo onde só havia morte, que desmontam a dor e criam trechos de qualidade inegável, tudo isto é de facto algo que não está ao alcance de qualquer musico e Waters nesta fase estava no auge das suas faculdades como musico, era cada vez mais um líder, e era também cada vez melhor acompanhado, David Gilmour estava tecnicamente fantástico e a prova disso é um álbum e a consequente tourné com exibições fantásticas, musicas da sua autoria que encaixam perfeitamente e surgem quase como o respirar um pouco entre os mergulhos neuróticos do Waters, o Wright continuava com as incursões fantásticas e alucinogenicas um pouco na continuação do seu melhor trabalho (Dark Side of the Moon) e o Mason estava por fim afastado do período mais “sintético”, todos estavam em máxima força e o resultado foi este magnifico álbum , um dos melhores trabalhos que tenho conhecimento.
Tudo era parte do espectáculo, o próprio álbum parecia já um concerto ou um filme, de facto quando foi feito foi desde logo pensado nestas vertentes todas, e então temos no álbum passagens tão reais que nos levam a visualizar os acontecimentos, quando vi o filme pasmei por ter imaginado algumas cenas tal e qual como tinham sido idealizadas e outras por nem nos meus mais loucos pensamentos sequer ter andado perto da carga emocional por eles pretendida.
Tudo se inicia com as boas vindas “In The Flesh”, enredando depois nas memórias da morte do pai na Segunda Grande Guerra “Another Brick in the Wall 1”, na sua mãe super proteccionista “Young Lust” e acabando a primeira parte com o muro psicológico totalmente criado e Waters encurralado numa depressão “Goodbye Cruel World”.
Não me querendo envolver em dissecações ao álbum , coisa que deixo para ouvidos atentos e cabeças pensantes e capazes de absorver tudo o que urge deste grandioso trabalho, refiro só que mais esplendor haverá num disco que a luta pela desobstrução do pensamento, creio que mais um tijolo na parede profetizado por uma sociedade que fazia do seu ensino uma enorme maquinação e não um ponto de abertura onde cada um possa ser livre e singular “Another Brick in the Wall 2” era e ainda é tido como um hino, que massas em conjunto juram derrubar.
Admito o meu fascínio por este momento da vida do Waters, admito nele uma intocável capacidade para fazer musicas carregadas de simbolismos, mas nestes tempos admiro ainda mais a máquina poderosa que eram os Pink Floyd, máquina grandiosa que marcou uma época.
Não há outra banda assim, Pink Floyd para mim a melhor banda de rock progressivo de sempre.
http://i6.photobucket.com/albums/y208/forumhifi/thewall.jpg
Marcos Caetano
aka Orpheus
Gloria aos tempos em que a juventude era aos 30 e com respeito se discutiam ideais, se lutava e ao fim do dia sem frustrações se abraçava os amigos. Acho que esse tempo se está a perder num piscar de olhos e não que as causas esteja a findar.
Proponho um olhar para uma das maiores tournés de sempre, 1980 “The Wall Tour” dava o primeiro passo no Los Angeles Sports Arena , a grande luta havia começado, os Floyd em palco encenavam diferentes barreiras que a sociedade ou nós mesmo criamos e com fundos musicais arrepiantes desbravavam a linha do pensamento.
The Wall, a parede, era a faceta da vida real de Roger Waters, as suas experiências e tendências, as suas obsessões , o trauma de uma sociedade manipulada.
A historia remete-nos a um isolamento psicológico por trás de uma parede psicológica, essa parede gira em torno dele sem controle e ele cresce incapaz de lidar com as suas neuroses, um pouco o reflexo da sociedade.
O disco está de facto impregnado de calorosas e acutilantes entradas na vida em sociedade, uma sociedade mecanizada, caída ás mãos de lideres sem escrúpulos, caída ás mãos do dinheiro fácil, da mentira e subversão de valores, uma sociedade maquinada pela guerra que continuava a ceifar vidas no auge da juventude e homens de família como o foi de facto o pai de Waters.
Esta visão em real , sem desvios, estes olhos “musicais” que desvendam o ritmo onde só havia morte, que desmontam a dor e criam trechos de qualidade inegável, tudo isto é de facto algo que não está ao alcance de qualquer musico e Waters nesta fase estava no auge das suas faculdades como musico, era cada vez mais um líder, e era também cada vez melhor acompanhado, David Gilmour estava tecnicamente fantástico e a prova disso é um álbum e a consequente tourné com exibições fantásticas, musicas da sua autoria que encaixam perfeitamente e surgem quase como o respirar um pouco entre os mergulhos neuróticos do Waters, o Wright continuava com as incursões fantásticas e alucinogenicas um pouco na continuação do seu melhor trabalho (Dark Side of the Moon) e o Mason estava por fim afastado do período mais “sintético”, todos estavam em máxima força e o resultado foi este magnifico álbum , um dos melhores trabalhos que tenho conhecimento.
Tudo era parte do espectáculo, o próprio álbum parecia já um concerto ou um filme, de facto quando foi feito foi desde logo pensado nestas vertentes todas, e então temos no álbum passagens tão reais que nos levam a visualizar os acontecimentos, quando vi o filme pasmei por ter imaginado algumas cenas tal e qual como tinham sido idealizadas e outras por nem nos meus mais loucos pensamentos sequer ter andado perto da carga emocional por eles pretendida.
Tudo se inicia com as boas vindas “In The Flesh”, enredando depois nas memórias da morte do pai na Segunda Grande Guerra “Another Brick in the Wall 1”, na sua mãe super proteccionista “Young Lust” e acabando a primeira parte com o muro psicológico totalmente criado e Waters encurralado numa depressão “Goodbye Cruel World”.
Não me querendo envolver em dissecações ao álbum , coisa que deixo para ouvidos atentos e cabeças pensantes e capazes de absorver tudo o que urge deste grandioso trabalho, refiro só que mais esplendor haverá num disco que a luta pela desobstrução do pensamento, creio que mais um tijolo na parede profetizado por uma sociedade que fazia do seu ensino uma enorme maquinação e não um ponto de abertura onde cada um possa ser livre e singular “Another Brick in the Wall 2” era e ainda é tido como um hino, que massas em conjunto juram derrubar.
Admito o meu fascínio por este momento da vida do Waters, admito nele uma intocável capacidade para fazer musicas carregadas de simbolismos, mas nestes tempos admiro ainda mais a máquina poderosa que eram os Pink Floyd, máquina grandiosa que marcou uma época.
Não há outra banda assim, Pink Floyd para mim a melhor banda de rock progressivo de sempre.
http://i6.photobucket.com/albums/y208/forumhifi/thewall.jpg
Marcos Caetano
aka Orpheus