Porque é que as marcas impingem que uma tela branca é melhor que uma parede? Porque querem vender, obviamente. Nós próprios fazemos telas brancas, mas gostamos de vender quando se justifica.
A explicação que vou tentar dar de seguida pode requerer algum esforço, mas não vejo outra maneira de justificar porque é que uma tela branca (direita) é igual a uma parede branca.
Quando se mede o ganho de uma tela é utilizado o chamado branco padrão. Convencionou-se que este seria ganho 1. Qualquer brilho que uma tela tenha mais que uma parede vai forçosamente fazer aparecer uma coisa desagradável chamada spot.
À semelhança de quando se faz tabela com uma bola de bilhar, o ângulo com que a luz incide num determinado ponto da tela é igual àquele com que se reflecte tendo como referência no meio dos 2 ângulos a perpendicular a esse ponto. Isto é igual para a tela toda.
Quando a linha da reflexão de um determinado ponto vem em direcção aos nossos olhos, recebemos desse ponto a luz difundida pelas partículas da tela e a luz reflectida pela superfície brilhante. Isso faz com que, na prática, vamos receber a luz difundida de toda a tela e luz reflectida apenas dessa zona da tela que nos vai aparecer mais brilhante. Portanto não ganhamos nada aumentando simplesmente o ganho da tela porque o que chega aos nossos olhos não é uniforme. Só seria se a tela fosse côncava.
Relativamente ao contraste: Para que consigamos ver imagem, o projector projecta luz na tela. Quanto mais intensa for a luz que chega aos nossos olhos, mais obriga a que o diafragma dos nossos olhos se feche, fazendo com que as zonas com menos luz nos pareçam mais escuras.
Usando um projector com muito contraste, o contraste da imagem recebida de uma tela branca só depende da luz ambiente, ou seja, se estivermos completamente às escuras e não houver reflexões que incidam nas zonas escuras da imagem, essas zonas ficam completamente pretas. O contraste é pois total e é medido em função do máximo de brancos que o projector conseguir.
Se o projector tiver pouco contraste, quer dizer que deixa passar alguma luz onde não devia, fazendo com que os pretos não sejam totalmente pretos.
Uma das maneiras de conseguir que uma tela seja mais contrastada que uma parede branca é se ela tiver alguma direccionalidade de reflexão, para que luzes indirectas sejam direccionadas num sentido diferente dos nossos olhos, mas aí iremos cair novamente no spot.
Outra das tentativas é escurecer ligeiramente a tela. Como vai absorver mais luz vai reflectir menos nas zonas escuras, mas aí vamos também perder brancos na mesma proporção. Na prática é como se tivéssemos um projector menos potente e nada ganhamos com isso.
Outra tentativa possível é colocar à frente da tela uma coisa chamada fresnel, mas além de ser proibitivamente caro, a tela teria que ser rígida.
Para não prolongar demasiado esta explanação, acrescento apenas que a tentativa que chegou a ter alguma difusão foi colar micro-esferas de vidro na superfície da tela. Cada ponto torna-se retro-reflexivo à semelhança daquilo que encontramos nos sinais de trânsito. Consegue-se uma boa melhoria em relação à parede, sim senhor, mas infelizmente é para pouco mais de uma pessoa, pois o ângulo é pequeno.
Não faz sentido entrar aqui na teoria da cor. Permita-me apenas que diga que um objecto só tem uma determinada cor porque absorve todos os comprimentos de onda e reflecte apenas aquela que vemos. Daí que as telas sejam brancas e a parede deva ser branca e não creme ou outra tonalidade qualquer para reflectir todas as cores que lá projectamos.
Em resumo: se uma parede for lisa, branca e matte, não vejo nenhuma desvantagem em relação a uma tela branca. Até pelo contrário: a parede nunca enfola.
Mas a tela também tem vantagens: Pode ser escondida dentro de uma caixa e aparecer só quando faz falta. Assim os quadros e os móveis podem continuar na parede.
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